Antes de dormir todas as dores são maiores

Antes de dormir todas as dores são maiores

Eu mesma escrevi uma vez “antes de dormir todas as dores são maiores”, e tenho me citado a mim mesma todos os dias. As noites têm sido foda. Desculpa a palavra, mas nada define tão bem. Vem uma angústia fodida, uma angústia filha da puta, que só com muito palavrão para definir. O motivo? Não sei. Juro que não sei. Poderia chutar uma série de hipóteses, possibilidades, que vão desde as minhas primeiras dores, até as mais recentes frustrações.

Os dias passo bem, sou uma pessoa solar. Embora seja mais noturna também, de modo geral. Sou contraditória demais, é difícil dar declarações a meu respeito que façam sentido. Os dias me ajudam, de dia ando bem humorada, mesmo com esse inverno demorado no Rio de Janeiro. Mas a noite cai, e vem a cretina da dor. A dor danada que eu não sei nem a razão nem o remédio.

Não sou contra os anestésicos. Sofro de enxaqueca crônica e só eu sei a importância da neosaldina na minha vida. Tenho saído para dançar às noites, mesmo se for de dia de semana, tenho visto bobagens no youtube, aciono as amigas, tenho ido dormir quando quase já é dia, e minhas angústias já estão perto de sumir. E tudo isso me ajuda a suportar esse momento em que, talvez pela primeira vez, eu esteja sentindo uma profunda solidão. Digo talvez porque comigo é assim, a vida faz uma mágica: Paro de sentir determinada coisa, e me esqueço completamente. Tudo é sempre pela primeira vez.

Mas há uma outra coisa em mim que também não posso definir sem usar um palavrão sonoro, uma característica, possivelmente a mais fundamental sobre mim. Uma coisa abstrata que meu amigo Felipe me disse faz pouco tempo: “A coisa que mais gosto em você é que você mata a dor no peito”. É Felipe, a briga é feia mas justa. Eu mato mesmo a dor no peito, que é justamente onde ela me ataca. Às vezes eu queria ser uma pessoa fraca, por mais louco que isso possa soar. Ser forte é exaustivo, encarar as dores, mesmo que seja depois do porre, é um porre. Eu queria fugir, às vezes. E nada me impede além de mim mesma. Essa sou eu: Contraditória, e quase (mesmo motivo do talvez) sempre corajosa.

Enquanto não sei nem o motivo nem o fim, vou sentindo, anestesiando quando dá, e falando mais palavrões do que jamais falei, hábito que não era meu até bem pouco tempo.

Como diz minha amiga e escritora Maria Clara Magueth, acho que estou em expondo demais.

Mas foda-se.

2 Comments
  • Clarinha, menina cajuína, é que a noite é quieta e como diria alguém que eu nunca soube quem: “é no silêncio que você se escuta”. E se escutar é um exercício diário, dia e noite. E é um exercício duro. E como diria uma amiga minha que é mais desbocada que você: “a vida é chuva de piroca e tá todo mundo com o cu pra cima”. O palavrão ajuda, expurga, eu sou pró xingamentos, pró tarjinha preta pra dormir, pró tudo o que me faça continuar sendo forte, como você. Que apesar da confusão toda aí dentro, é água clara de rio não explorado, dá pra ver até peixe. E como diria elza, que aqui não cito, mas parodio, que um peixe amarelo beije a sua mão. Te amo, mesmo sendo melecuda. E o Felipe tá certo: você mata mata a dor no peito.

    30 de agosto de 2017 at 12:16

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