Casamento

Casamento

Meu leitor alfa, Bruno, me pediu para escrever sobre casamentos, já que minha irmã se casou agora. Pensei bem, e lembrei que há muito tempo eu já escrevi sobre casamento, e resolvi repostar, para Bruno e a quem mais interessar.

 

Quando a gente se casou a preocupação geral era com os móveis, com essa coisa de montar a casa. Não tive pressa. E toda hora minha mãe me perguntava “Minha filha, você já tem tudo?” Mas não quis ter tudo, quis ter o constante gosto de quero mais.

Já com meses na casa nova, ainda tínhamos caixas da mudança fechadas, que eu tinha que esconder correndo quando vinha visita. Um monte de coisas que ainda não estávamos prontos para expôr. Aos poucos a confiança aumentou, a vergonha ficou insignificante, e deu para jogar algumas coisas fora antes de enfeitar a sala com os penduricalhos de outras vivências.

A cama foi a primeira coisa que chegou, e essa sim era fundamental para mim. Cansados das nossas atividades, com aquela urgência de recém casamento, a gente ficava horas curtindo nossa casa, que por muito tempo foi só aquela cama mesmo.

Depois veio a geladeira. Um presente da minha sogra, que ela me cobrou com indiretas e pedidos de um neto. Tivemos nossa primeira briga. Que filho único não discute com mãe, e foi aquele climão gelado, que só se quebrou dias depois com a compra do fogão. Fizemos amor na cozinha.

Compramos sofá, pra variar da cama e para acomodar os amigos que começaram a ser frequentes na nossa casa que ainda era só alegria. Televisão, que afinal de contas, dizem ser um bom contraceptivo.

Cortinas para o quarto, que eu inventei que dava jeito de casa e ele achou bonito quando viu. Mesa de cabeceira para a gente acordar se olhando no porta retrato.

Depois foi panela, colher, pano de prato, as coisas do dia a dia que uma hora teriam que chegar. Mesa na cozinha, cadeiras, toalhas, essas coisas.

Foi estante, tapete, cabide… Tudo conforme o tempo foi pedindo, a gente foi conseguindo e querendo.

O varal, e tudo que a gente estendeu e secou naquele dia. A novidade da máquina de lavar, o vaso de planta e o porta- chaves, trazido da primeira viagem.

Chegaram também as tristezas, as desconfianças, as inseguranças, aqueles medos, e a gente combateu devagar e sempre com quadros, molduras, mais uma cadeira, um novo aparelho de jantar e um fim de semana só nosso.

Ganhamos também aqueles presentes que não se gosta, mas se coloca na casa para não fazer desfeita.

Vieram os filhos, mais quartos, mais camas, mais armários, mais cabides, mais pratos na mesa.  No sofá da sala agora tem sempre um sapato perdido, uma mochila jogada, o vestígio do vídeo game que nunca é guardado conforme a mamãe pede. A casa foi ganhando moldes de família, e nunca ficou pronta.

De vez em quando a gente pinta a parede, troca os quadros, muda uma planta, uma cadeira de lugar. Acha que fica melhor assim e não assado, viaja e vê uma coisa que ficaria bem bonita no quarto.

A cama continuou a mesma, só ficou mais pesada e resistente com o tempo. O resto quase todo mudou de lugar ou definitivamente. A gente vai dando um jeito, mexendo, pintando, “Se fizesse assim, ó…” e a gente faz até hoje.

O tempo traz outras necessidades. A casa- engraçado- parece outra, entretanto, não houve mudança alguma. Tem um constante ar de incompleta, que é o que movimenta a busca por mais uma boda e um artigo de decoração.

Compramos semana passada um abajour para as mesas de cabeceira, para facilitar as leituras e o clima de nossas vistas e corpos já meio cansados. O quarto pareceu novo, e nós também.

Agora ando pensando o que pode ser feito no quarto dos meninos, e na cor nova do banheiro. Talvez trocar os azulejos…

E um dia, já não tão distante, comprar cadeiras de balanço, bibelôs que só vó sabe escolher e renovar a casa e os votos todo dia.

3 Comments
  • Carolina Jardim
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    Clara, você ainda tem os posts do seu antigo blog? Gostaria muito de reler alguns textos seus daquela época <3

    19 de agosto de 2017 at 20:27

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